Arquivo de Novembro, 2006|Página de arquivo mensal
Vejo-te porque me deslumbras Esse teu ar altivo e …
Vejo-te porque me deslumbras
Esse teu ar altivo e fugaz reduz-me a pó
Sem que o saibas desejo-te,
Amo-te por dentro como quem morre e sofro por não morrer
Canso-me em buscas
E tu atropelas o meu corpo
Estás para além do alcançável e não te dás
Vives airosamente,
Qual Rainha
Sofro
Apaixono-me
Infelicidade, vi-te
Não sais de mim, e eu quero entrar em ti
Calculista
Abraça-me uma só vez e te detestarei
Sempre
Não sei
Quero fugir, mas para onde?
Para ti
Só para ti
Somente para ti
Mentir.
Mentir. Não faço mais que mentir. Minto-te a ti, pior, vou mentindo a mim mesmo.
Sei que pouco falta para te ter, sinto-o e vou conversando comigo, com aquilo que penso ser eu, em tudo o que quero, tudo o que sinto, tudo o que desejo. Não passam de mentiras vãs. Mentiras aliadas ao prazer de mentir, ao desgosto de não acreditar naquilo que fez de mim quem eu sou, quem eu sempre quis ser.
Tens tudo o que porventura aspiro, e ainda assim não consigo encontrar um caminho para te dizer que doravante te quero abraçar, quero colher os frutos de uma primavera efémera como esta que agora dispomos.
E vou mentindo.
Falo de trivialidades, só para relegar aquilo que é verdadeiramente importante para um depois que talvez não deixe de ser um nunca.
Quiçá esteja a desistir mesmo antes de começar, mas prefiro iludir-me pensando que ontem era eu, que amanhã serei eu uma vez mais.
Ontem não fui ninguém, amanhã sem ti não passarei de uma outra mentira.
Mais um cigarro meio aceso, meio apagado.
Mais um cigarro meio aceso, meio apagado, fumado lentamente na esperança de ver os ponteiros de um relógio que não existe darem mais uma volta, e finalmente te ver.
Conversas soltas sem sentido, uma qualquer música e um jornal aberto só para enganar os olhos, e a ti que quero ver, nada.
Sinto um arrepio nesta tarde melancolicamente gélida, e continuo na ilusão de abraçar o teu regaço e me aquecer. Aquecer também o corpo, mas sobretudo aquilo a que alguém apelidou de coração. O meu, negro como a roupa que trajo, vai ficando mais amolecido e de cores que me pensava esquecidas.
Então vi-te, Filha da Puta que me consomes com um só traço desse teu esguio corpo.
Preferia-te nua comigo num leito de desejo e perdição, mas ver-te apenas chegava-me neste momento.
Ardo em aflição e castigo-me. A mim e a ti sem que…
Perco os raciocínios a pensar naquilo que não quero pensar, naquilo que exalta o que sinto, penso sentir, não quero sentir, e desejo-o tanto que me dói.
Lia hoje o jornal e todos os títulos eram teus, teus e não meus, não nossos porque isso me é inconcebível, mas és-me implacável e hoje não me permites que viva. Respiro o cheiro do teu corpo, engulo a tua carne, regalo o teu nome. Não tinhas esse direito! Não tinhas o direito de entrar em mim, me pedires a minha boca e nunca a minha alma. E para quê? Para me mutilar? Só para que me doa? Para me angustiar até que vomite?
Não te quero, não me queres, não nos queremos e então porque é assim?
…
Quero-te, e por isso e só por isso talvez seja apenas estúpido.
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