3 livros e outros tantos discos a não perder
3 livros a não perder
Dias exemplares de Michael Cunningham é um romance que combina o passado, o presente e o futuro numa verdadeira encruzilhada mágica de palavras.
Em A nova Desordem Mundial de Tzvetan Todorov é tomada uma visão crítica e apartidária do mundo em que vivemos. Excelente para uma melhor compreensão da conjuntura mundial actual.
A Teoria do Céu de Immanuel Kant, publicada por alturas do bicentenário da sua morte é uma das obras mais impressionantes do filósofo de Könisgberg, na qual aborda a origem mecânica do universo reformulando por completo as teorias cosmológicas do século XVIII.
3 discos para ouvir mais uma vez
The Doors – The Best Of The Doors Special Edition, 2002. Mais uma compilação de algumas das melhores músicas de um grupo inesquecível, onde não faltam temas fantásticos como Light My Fire, Riders On The Storm ou Break On Through (to the other side).
Pink Floyd – Pulse, 1995. Uma das bandas mais marcantes do século XX, tem em Pulse um cd duplo, no qual para além de estarem reunidas todas as grandes músicas de Pink Floyd, está também a inédita Run Like Hell cantada propositadamente para esta compilação.
Metallica – Master of Puppets, 1986. É muito provável que esta seja a melhor banda de metal de sempre, e também é muito provável que este seja o seu melhor disco. Imperdível.
Porque às vezes são precisas palavras
Resident Evil – Extinction
Como se há coisa que o pessoal gosta é de disparar uns balázios nos cornos de uns zombies e ver umas mulheres assim a modes que para o boas, não vamos deixar de ver o terceiro capítulo da série Resident Evil, desta vez apelidado de Extinction. Se querem ver o trailer, então cliquem aqui.
Aos gloriosos momentos da literatura portuguesa
“A Água” de Manuel Maria Barbosa du Bocage:
Meus senhores eu sou a água
que lava a cara, que lava os olhos
que lava a rata e os entrefolhos,
que lava a nabiça e os agriões
que lava a piça e os colhões
que lava as damas e o que está vago
pois lava as mamas e por onde cago.
Meus senhores aqui está a água
que rega a salsa e o rabanete
que lava a língua a quem faz minete
que lava o chibo mesmo da rasca
tira o cheiro a bacalhau da lasca
que bebe o homem que bebe o cão
que lava a cona e o berbigão
Meus senhores aqui está a água
que lava os olhos e os grelinhos
que lava a cona e os paninhos
que lava o sangue das grandes lutas
que lava sérias e lava putas
apaga o lume e o borralho
e que lava as guelras ao caralho
Meus senhores aqui está a água
que rega as rosas e os manjericos
que lava o bidé, lava penicos
tira mau cheiro das algibeiras
dá de beber às fressureiras
lava a tromba a qualquer fantoche e
lava a boca depois de um broche.
Vejo-te porque me deslumbras Esse teu ar altivo e …
Vejo-te porque me deslumbras
Esse teu ar altivo e fugaz reduz-me a pó
Sem que o saibas desejo-te,
Amo-te por dentro como quem morre e sofro por não morrer
Canso-me em buscas
E tu atropelas o meu corpo
Estás para além do alcançável e não te dás
Vives airosamente,
Qual Rainha
Sofro
Apaixono-me
Infelicidade, vi-te
Não sais de mim, e eu quero entrar em ti
Calculista
Abraça-me uma só vez e te detestarei
Sempre
Não sei
Quero fugir, mas para onde?
Para ti
Só para ti
Somente para ti
Mentir.
Mentir. Não faço mais que mentir. Minto-te a ti, pior, vou mentindo a mim mesmo.
Sei que pouco falta para te ter, sinto-o e vou conversando comigo, com aquilo que penso ser eu, em tudo o que quero, tudo o que sinto, tudo o que desejo. Não passam de mentiras vãs. Mentiras aliadas ao prazer de mentir, ao desgosto de não acreditar naquilo que fez de mim quem eu sou, quem eu sempre quis ser.
Tens tudo o que porventura aspiro, e ainda assim não consigo encontrar um caminho para te dizer que doravante te quero abraçar, quero colher os frutos de uma primavera efémera como esta que agora dispomos.
E vou mentindo.
Falo de trivialidades, só para relegar aquilo que é verdadeiramente importante para um depois que talvez não deixe de ser um nunca.
Quiçá esteja a desistir mesmo antes de começar, mas prefiro iludir-me pensando que ontem era eu, que amanhã serei eu uma vez mais.
Ontem não fui ninguém, amanhã sem ti não passarei de uma outra mentira.
Mais um cigarro meio aceso, meio apagado.
Mais um cigarro meio aceso, meio apagado, fumado lentamente na esperança de ver os ponteiros de um relógio que não existe darem mais uma volta, e finalmente te ver.
Conversas soltas sem sentido, uma qualquer música e um jornal aberto só para enganar os olhos, e a ti que quero ver, nada.
Sinto um arrepio nesta tarde melancolicamente gélida, e continuo na ilusão de abraçar o teu regaço e me aquecer. Aquecer também o corpo, mas sobretudo aquilo a que alguém apelidou de coração. O meu, negro como a roupa que trajo, vai ficando mais amolecido e de cores que me pensava esquecidas.
Então vi-te, Filha da Puta que me consomes com um só traço desse teu esguio corpo.
Preferia-te nua comigo num leito de desejo e perdição, mas ver-te apenas chegava-me neste momento.
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